Os espaços que oferecem escritórios ou postos de trabalho individuais estão com alto nível de consultas e atingindo bons níveis de ocupação. A chave: empresas que veem possibilidade de redução de custos.
O Beework de Ribeirão Preto é o nome de um dos novos espaços que se somam à ampla oferta do universo de coworking que funciona em Ribeirão Preto.
Liderada por Adriano Luz, que também dirige uma consultoria de recursos humanos, tem 60 cargos no bairro Ribeirania e tem como objetivo reunir projetos inovadores e assessorá-los para que possam decolar.
Embora ainda não tenha sido formalmente lançado, este “laboratório de negócios” já conta com duas empresas a trabalhar no seu interior e com consultas permanentes de outras empresas e particulares.
Para Adriano, a explicação é simples: “A pandemia trouxe como resultado que, em muitas áreas, quando voltavam e viam o escritório vazio, mas que o faturamento havia sido mantido, que precisavam ter um local próprio com uma grande o logotipo da empresa não era tão grande. Muitos resistiram a esse processo, até que bateu no bolso”.
Para ele, o que os escritórios de coworking têm mostrado é que há custos que se acreditava serem fixos, passarem a ser variáveis, o que representa maior eficiência nos gastos.
“Escritório próprio significa despesas com serviços, secretária, café, manutenção, limpeza. Todas as coisas pequenas, mas juntas representam uma grande bola de despesas fixas. Agora as empresas descobriram que podem variar, que podem ocupar e pagar um serviço de escritório quando precisar, e até ampliá-lo ou encolhê-lo sem muitos problemas”, enfatiza Adriano.
Tamara Halac, sócia de Endereço Fiscal Ribeirão, que trabalha em uma das vertentes do Beework, conta uma anedota que pinta claramente essa tendência que já havia começado antes da pandemia, mas que se aprofundou após o surgimento da última crise econômica e a necessidade para que as empresas reconvertam seus formatos diante da crise.
“Chegamos até a pedir verduras e salgadinhos de uma das empresas e depois entregamos o tíquete. Eles estão completamente desligados de tudo o que envolve a gestão de seu próprio escritório”, diz ele.
No caso deles, eles ainda não observaram uma forte reativação, mas valorizam o fato de terem conseguido manter clientes que trabalhavam desde antes da era do trabalho remoto. “Temos um bom nível de consultas e projetamos que no segundo semestre teremos um aumento do emprego”, afirma Halac.
TRABALHAR E VIVER
Já o Coworking Webtrends é um dos maiores espaços de trabalho colaborativo da cidade e está em processo de reativação.
“De um total de 600 vagas, temos 200 ativas. Depois de cair para zero no ano passado, no início da pandemia, os juros renasceram e estamos retomando os níveis de ocupação pré-pandêmica. E com perguntas crescentes que podem nos fazer abrir outro terço em breve; ou seja, mais 200 cargos”, descreve Monica Godinho, Diretora de Marketing.
Uma novidade é que esse coworking foi historicamente demandado por grandes empresas ou corporações, e agora o interesse atinge todas as áreas e até empresas em nome individual. “Antes as PMEs nos viam de longe, agora temos desde empresas industriais que vendem material de construção por telefone, até profissionais de saúde que montaram um escritório”, exemplifica.
Nesse ponto, coincide com a contribuição de Adriano e Halac. “Muitas empresas nem pensaram em coworking; agora eles veem isso como uma possibilidade. O benefício de receber uma única nota fiscal para todos os serviços é muito atraente”, explica.
Francisco Junior, fundador do Coworking Webtrends no bairro Ribeirania, não tem dúvidas: “Hoje as pessoas estão pensando mais onde querem trabalhar. Você quer se mover o mínimo possível e não ter que gerenciar custos e outros, tornar a vida mais fácil. Até as pessoas mais pré-históricas estão se perguntando se a forma como trabalhavam antes era realmente porque precisavam fazer assim, ou apenas porque era um hábito”.
Junior tinha 70 por cento de ocupação até março de 2020 e em maio estava completamente vazio. Hoje, ela possui 100% dos escritórios alugados – no total, oferece quase 50 vagas – e muitas reservas de salas de reunião.
Segundo Junior, ele está tendo uma taxa de uma consulta por dia de uma empresa ou pessoa física interessada em alugar um espaço. Por isso, ele começou a consultar empresas locais para expandir seus negócios.









